terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Rachel Sheherazade: cristianizando o debate

Nos últimos dias, repercuti no meu Facebook muitas informações sobre Rachel Sheherazade e o tratamento dela para com os "marginalzinhos". De todos os quase mil amigos que tenho por lá, os único que defenderam a moça, foram meus contatos "religiosos". Por isso, resolvi cristianizar o debate um pouco. Acho que é a primeira vez que faço isso, pois acredito ser por uma boa causa.



Eu fico muito preocupado quando vejo cristãos fazendo eco ao discurso do ódio. Daqui a pouco veremos os cristãos pegando em armas para combater a criminalidade (fruto do sistema que vivemos) matando todos aqueles marginalizados gerados pela desigualdade social. Já vi, inclusive, muitos católicos defendendo a redução da maioridade penal. Passamos tanto tempo refletindo sobre o exemplo de Cristo, mas parece que o sacrifício dele na cruz não foi o suficiente para alguns entenderem quem está do lado forte e quem está do lado fraco. Desgraçadamente, até a forma de punição dada ao jovem se assemelha a de Jesus. Pobre, e julgado pelos "poderoso", acabou preso a um poste (cruz não está na moda nesta estação).

Para deixar bem claro meu entendimento: Sheherezade está do lado forte. E não acredito que a maioria do Brasil (e do mundo) esteja deste mesmo lado. Sim, considero que eu estou no mesmo barco que o rapaz acorrentado ao poste.

Podemos ir além do exemplo de Cristo. Se formos olhar Dom Bosco, fica mais nítida ainda a contradição do discurso que está sendo assumido como correto por alguns. Não é a cadeia (ou a morte, no caso da vingança mais radical) que vai acabar com a violência ao nosso redor. Dom Bosco ia até as cadeias da região de Turim tirar os jovens de trás das grades para dar lazer, formação e oração para eles. Será que é impossível fazer isso hoje?

Sistema preventivo de Dom Bosco: educação através da razão, religião e amor/caridade. Não é fazendo justiça com as próprias mãos, como sugere a âncora do SBT e outros reacionários de plantão, que vamos mudar as pessoas. É necessário tratar na raiz. Já diria o sonho de Dom Bosco: "não com pancadas João". Tratar os marginais com violência é igual a podar uma árvore achando que ela vai parar de crescer. Algumas, pelo contrário, crescem ainda mais fortes.

Sobre o discurso dominante. Só não enxerga quem não quer. A jornalista não está lá por acaso. Uma opinião tão dura quanto esta citada, não nasceu na cabeça só da Sheherazade. Ela só é a porta-voz um povo que vê na grande mídia (aqui representada pelo SBT) a legitimação de um senso comum que se prolifera velozmente.

Recentemente, tenho dedicado certo tempo (até mais do que deveria) ouvindo pensadores da extrema direita. É plausível que, para eles, o discurso dominante pareça revolucionário. Do outro lado, a extrema esquerda vê como a tendência dominante sendo conservadora. Acredito que entre esses dois parâmetros, podemos dizer que em parte do tempo os grandes emissores de informação estão equilibrados e em alguns momentos tendem para o conservadorismo. É praticamente impossível quantificar isto. Eu, particularmente, tenho repulsa a assistir os telejornais. Prefiro assistir a novela das 9.

Quando vemos um tema tão delicado como este da justiça com as próprias mãos surgir é preciso parar um momento e raciocinar (na verdade o tempo todo isso é necessário). A quem interessa esse discurso do ódio? Marginalizar ainda mais os marginalizados vai gerar o que na nossa sociedade? Quem vai lucrar com isto? Talvez possamos ir até o shopping sem esbarrar com algum pobre pedindo esmolas. Quem sabe? O que eu ganho desejando o pior para alguém que já está por baixo?

"O Estado não presta a assistência devida." E o que estamos fazendo quanto a isto? Se for para acabar com o Estado, vamos começar a discutir sobre isto.

Hoje uns aceitam que "bandido bom, é bandido morto". Logo, vão estar aceitando outras ideias vendidas por Sheherazades da vida.


Para refletir um pouco mais sobre essa "lógica do bandido" deixo um vídeo.

2 mil comentários:

Thiago Barbosa 12 de fevereiro de 2014 05:16  

Âncora DEFENDEU o grupo que amarrou grupo a poste? Da mesma forma que não se desacredita a política por uma ou duas dúzias de ''salafrários'', não deves incorrer numa GENERALIZAÇÃO APRESSADA e inconsistente ao afirmar que um ou mais cristãos mancham a Igreja Católica!

Eduardo R. Schmitz 12 de fevereiro de 2014 05:21  

Caro Thiago, tenho muito colegas católicos, que assim como eu, criticam tal atitude da jornalista.

O que quis evidenciar com o texto, é a contradição que muitos acabam cometendo. Principalmente pela falta de visão crítica e preocupação com a sociedade.

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