quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

#IssoéJoinville e o cabresto joinvilense

A cidade de Joinville, seus habitantes e, claro, seu estádio municipal são extremamente pacatos e corretos. A prova disto é que repudiam completamente o que aconteceu na Arena Joinville. A briga campal entre torcedores do Atlético Paranaense e Vasco é algo visto como o fim dos tempos, ainda mais quando se constata que o fato levou o nome da cidade para todo o país e para o mundo. Concordo plenamente que a estupidez humana é desprezível, mas ela tem uma origem. É aí que começa minha crítica ao movimento #IssoÉJoinville.

Sabemos que não foi nada legal, enquanto seres humanos, o que aconteceu no estádio no final de semana, mas este fato vem para evidenciar, novamente, quem é o verdadeiro joinvilense. Não é que seja uma característica só de Joinville, mas as heranças da colonização "germânica" potencializam esta faceta. 

Joinvilenses em geral, não sabem reconhecer os problemas a sua volta. Exceto quando são acusados por alguma coisa indevidamente. No momento, é a acusação de cidade sem segurança e estádio que abriga a violência. Até consideraria justa a reivindicação do movimento #IssoÉJoinville, se não fosse um dos raros casos de movimentação de massa na cidade. Mas por enquanto estou longe de fazer coro ao grupo. 

Percebo, a partir das minhas vivências, que o joinvilense médio não tem a capacidade de autocrítica. Por outro lado, tem uma facilidade muito grande de seguir tendências lançadas ao vento por interesses alheios aos seus, como mídia local e entidades representativas - principalmente as empresariais. O gene cultural germânico coloca um cabresto no olhar social do joinvilense. Parece até que não existem marginais na torcida organizada do Joinville Esporte Clube, a União Tricolor.

O fato é que Joinville, e os torcedores da cidade, não são melhores nem piores do que os do Atlético Paranaense ou do Vasco. Contudo, o contexto da confusão faz com que pareça que o joinvilense seja melhor. E isso desperta um sentimento bairrista, elitista e xenófobo, que só alimenta ainda mais esta realidade de cabresto para as causas dos problemas da sociedade.

A herança dos imigrantes europeus fez com que boa parte da cidade seja fria e incapaz de se relacionar com seus vizinhos. Eu passo por isso todos os dias. Não sei nem ao menos o nome da pessoa que mora na casa ao lado. Em geral, o único interesse que reina é o individual. Mas que ninguém queira questionar a hegemonia deste povo tão trabalhador e que luta tanto para construir sua cidade.

#IssoÉJoinville. Uma cidade conservadora, que não se preocupa com o coletivo e odeia que exponham seus defeitos.

#IssoÉJoinville. Uma cidade dos príncipes sem príncipes, uma cidade das flores com flores sufocadas pelas fumaças e uma cidade das bicicletas que só pedala para trás.

2 mil comentários:

Pedro Wolf 12 de dezembro de 2013 02:39  

Parabéns pela coluna Alemão!!!
Sucesso pra ti velho, abração.

PEDRO RICARDO WOLF

Unknown 12 de dezembro de 2013 03:01  

Baita crítica social, algo a se pensar. Concordo em poucas partes. A cidade não é mais a Joinville dos anos 70, mudamos e não sofremos mais tanto do egocentrismo germânico, apenas nos orgulhamos de nossas conquistas.

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