A diversidade de dilemas vividos por estudantes universitários é imensa, mas hoje vou tratar de um problema com o qual coexisto desde quando larguei meu último emprego não jornalístico.
Começando pela possibilidade de acesso e manutenção da formação superior. Se você mora em Joinville e tem a intenção de ser um jornalista, prepare-se. No mínimo, terá de desembolsar uns R$700,00 só para pagar a mensalidade do único curso da cidade. Junto vem o transporte, alimentação, livros, etc. A outra possibilidade é tentar (veja bem, eu disse TENTAR) passar em uma universidade pública, em Florianópolis ou Curitiba, para não ficar tão longe da família. Segundo problema: a faculdade pode até ser gratuita, mas aí vem a hospedagem, transporte intermunicipal, etc. Custos que acabam deixando elas por elas. Mas convenhamos: estudando em Joinville dá para ter um emprego durante o dia, já nas instituições federais, por ser aula em período integral, fica inviável.
Partimos para o mercado de trabalho. O jornalista é um profissional com habilidades que poucos têm. Em geral, domina a escrita, fala bem, sabe lidar com as pessoas, tem influência na sociedade e tantas outras coisas mais, mas ostenta o incrível piso salarial de R$ 1.300,00 em Santa Catarina. Qualquer pessoa que tenha noções básicas de matemática percebe que o investimento gasto nessa formação vai demorar muito para ter retorno.
Mas uma coisa é fácil nessa vida de jornalista: entrar no mercado. Com oito meses de curso eu consegui meu primeiro estágio. Ah os estágios. Se um profissional formado ganha R$ 1.300,00, imaginam quanto não ganha um estagiário. Lembro que no meu primeiro estágio ganhava R$ 304,00 (já com o vale transporte incluído). E isso que meu empregador era minha própria faculdade.
Aí vem o grande dilema. Você quer estudar, mas tem que pagar um valor fora dos padrões de remuneração do mercado. Ou melhor, os empregadores não pagam o suficiente para que consiga completar sua formação. Afinal de contas, tem alguém preocupado com a qualidade (ou necessidade) dessa formação?
Outro problema é o reconhecimento do profissional por sua entidade de classe. Mesmo com todos esses problemas vividos pelos estudantes, se algum desses infelizes conseguir um emprego que o registre como Jornalista, o próprio sindicato cai malhando o pau. “Jornalista tem que ter diploma.” Retorna o dilema. Como eu vou conseguir meu diploma se tudo ao meu redor me impede?
Na realidade que vivo, só percebo os problemas ao meu redor, e pouquíssimas pessoas preocupadas em mudar isso. Falta atitude dos sindicatos, diretórios estudantis e dos próprios estudantes. O mundo do jornalismo não é só gramour, mas essa é uma impressão que surge nos jovens quando fazem o vestibular e parece nunca desaparecer. Jornalista é tão peão quanto um operador de prensa numa fábrica de compressores.
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