
A movimentação social de Joinville está fervorsa. Servidores municipais fizeram uma greve de 40 dias. Professores do estado caminhando para dois meses de greve. Muita gente percebendo que as pessoas estão se mobilizando e isso é bom, porque é contagioso. Mas de nada adianta essa movimentação se não for bem orientada. É com espanto que estou percebendo o tamanho da discussão e a quantidade de pessoas dispostas a lutar contra o aumento do número de vereadores na cidade. Antes de defender minha opinião quero fazer uma rápida reflexão.
Trabalhadores que estão descobrindo o poder da sua militância ficam eufóricos com a possibilidade de fazer alguma coisa. A juventude também é assim. Desde quando comecei a frequentar grupos de jovens, em 2006, escuto a frase: “o jovem tem que ser protagonista da sua juventude”. Existem muitas formas para isso acontecer, mas com certeza não será repetindo opiniões prontas que vem enlatadas pela mídia e pela classe dominante. Isso é uma regra que se aplica a todos, não só aos jovens. Algumas vezes não há certo ou errado, vitorioso ou perdedor, mas há pessoas que se diferenciam das demais por serem agentes pensantes da sociedade. A certeza e a vitória só virão com a luta.
Joinville é uma cidade que tem uma característica industrial muito forte. A indústria é a grande engrenagem na roda da economia joinvilense. Logo, a classe empresarial também tem muita força por aqui. Na hora de levantar a bandeira contra o aumento de número de vereadores os primeiros a se manifestarem foram lideranças dessa classe. A Acij, Ajorpeme, CDL, Acomaco, OAB estão dispostas a levar essa discussão como uma campanha. Mas aí fica o questionamento: se é essa classe que nos explora todos os dia, então por que agora eles estariam do lado da população tentando “ajudar”?
Política é interesse. Interesse pelo poder. Essas entidades empresariais já precisam dividir o poder com 19 vereadores e correm o risco de ter que começar a dividir com 25! É claro que vão ser contra. Por outro lado, a população cai no discurso simplório, e até medíodre, que aumentar o número de vereadores vai aumentar os gastos da Prefeitura. A coisa não é bem assim.
Mas ainda sobre os vereadores. Eles são a representação do povo. Agora não é o momento de julgar a qualidade da representação que eles têm feito, mas quanto mais vereadores, maior a chance de representatividade. A população não sabe escolher seus vereadores e agora culpa aqueles que estão lá de serem incompetentes.
Vamos pensar nas campanhas eleitorais. Quem são os principais financiadores de campanhas? São empreiteiras, indústrias, comércio, etc. Esses caras gastam um dinheiro ferrado para eleger um candidato específico. O que acontece depois que ele é eleito? Vai ser obrigado a ficar atrelado aos interesses de quem bancou a sua campanha. Resumindo: os financiadores de campanha vão ter que gastar muito mais dinheiro para ter toda a Câmara de Vereadores do seu lado.
Para fechar, um pouco sobre os gastos públicos. Hoje a Prefeitura repassa 6% da sua receita para a Câmara, para pagar salários. Com a adequação do número de vereadores, o valor repassado será de 4,5%!
Muito cuidado na hora de reproduzir o que escuta por aí. Opinião cada um tem a sua, mas ela se faz pela síntese de várias opiniões.
Ah... e à propósito, eu sou a favor de 25 vereadores.
E cuidado com a camisa que estão vestindo. Olhem bem pra ela antes de enfiar a cabeça.
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