segunda-feira, 30 de maio de 2011

Reinauguração do Blog

Artigo:
Pobres miseráveis! Matem todos!

Uma discussão em sala de aula, na disciplina de Ética e Comunicação, fez-me perceber que nossa sociedade ainda é rodeada de pensamentos com raízes na idade média. Até pouco tempo acreditava que os resquícios da inquisição estavam apenas nas pessoas que acreditam que a pena de morte é a solução para criminalidade. O que soa inaceitável pra mim, é o fato de pensamentos assim virem de pessoas que cursam o ensino superior, mais especificamente num curso de humanas.

Eis a discussão: pobres miseráveis que não têm o que comer, mas têm linha de telefone em “casa”. Claro, é uma incoerência violenta. Solução? Matar todos? Infelizmente há quem pense nisso. Não foi a afirmação da fatídica aula, mas deve ter passado de leve nas cabecinhas mais reacionárias da sala. A questão que precisa ser respondida é muito simples: essas pessoas pobres não têm direito a ter um telefone? E respondo: têm todo o direito. Mais do que muitos, inclusive.

Entendo a crítica de que falta um direcionamento consciente do uso do pouco recurso que essas famílias possuem. Mas afirmo: o problema não está nas pessoas. Nem nas pessoas que pensam que o problema é as pessoas.

Vivemos em uma sociedade discriminatória, onde um mero acessório de fim estético significa uma reclassificação da hierarquia social. As empresas amparadas pelos meios de comunicação pulverizam a propaganda do consumo. CONSUMAM! Antes de pensar no seu bem-estar, CONSUMAM! Cada centavo gasto é combustível para manutenção do funcionamento da engrenagem da economia capitalista do consumo.

Por isso, o sistema econômico da nossa sociedade é responsável por absurdos como esse, cometidos por famílias sem instrução. Quando mais miserável é a pessoa, mais sujeita está a fatores mercadológicos.

Cabe a nós, comunicadores sociais, reverter esse quadro, e não continuar achando que o problema está em quem ganha R$100,00 por mês e tem um celular. Os veículos de comunicação têm um potencial de transformação social gigante, mas que é deixado de lado. Ainda há tempo para mudar essa situação.

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