quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Zueira institucionalizada em Curitiba

Eu apoio a zueira. 


A cidade de Curitiba está conseguindo realizar uma façanha no ambiente digital. A página oficial da Prefeitura de Curitiba no Facebook beira a genialidade. Mas por que tanta rasgação de seda? A comunicação institucional por redes sociais da internet costuma ser chata e muito careta, principalmente quando se trata de um assunto sério, no caso, uma cidade. Algumas marcas já têm o bom humor e a descontração na sua linha editorial, mas o que Curitiba vem fazendo é fantástico. 



[Desconheço outros casos parecidos. Talvez cidades do exterior já tenham experimentado, mas o fato da proposta dar certo na nossa realidade é que precisa ser destacado.] 



A gestão de uma marca segue algumas regras universais, e isto também vale para entidades públicas. A prefeitura de Curitiba ao desenvolver sua estratégia de Facebook soube aproveitar muitos aspectos que o meio oferece. Foi, e continua sendo, um projeto arriscado e com grandes chances de repercussão negativa, mas até agora só vejo frutos positivos. Sem falar na possibilidade de servir como exemplo para outras entidade, como empresas dos diversos segmentos. 



É claro que não existe cidade perfeita. Até mesmo as melhores cidades do mundo têm o que melhorar. E a estratégia de Curitiba está dando certo por saber jogar com os conteúdos. Sem falar na agilidade em responder e interagir com os seguidores da página. Por falta de interesse, não tenho a menor noção de como seja a aceitação da administração municipal para a população. É um ponto importante de ser observado, pois tais ações na web - quando dão certo - ajudam a reverter um cenário negativo, ou ajudam a fortalecer uma imagem que já é boa. 



Navegando pela página, fica evidente que o conteúdo é direcionado para o público jovem. Isto é um tiro certeiro. A maior fatia de usuários do Facebook ainda são os adolescentes e jovens (11 a 30 anos). E o mais importante disto: os jovens estão se interessando pela prefeitura, seja no aspecto administrativo ou por saberem que este é um espaço que pertence a eles. A prefeitura não se resume a um prédio ou a uma pessoa - prefeito. Talvez esse seja o maior saldo que a estratégia venha a conseguir. É difícil de mensurar tal impacto, mas não deve ser esquecido. 



Outro destaque que faço é a habilidade dos administradores da página em equilibrar os temas dos conteúdos. Existe um caráter informativo, de lazer (como na indicação de música para ouvir à noite) e de descontração. É o mais fantástico: sem se esquecer do papel social e transformador dos meios de comunicação. A campanha "Chega de Fiu Fiu" é um dos exemplos. Sem falar na "subversividade" do compartilhamento da música Killing in the name, do Rage Aginst the Machine, como uma das músicas de boa noite. 



A fanpage da prefeitura de Curitiba é um belo exemplo de como é possível ver as coisas pelo lado positivo. Não só na questão política da coisa, mas como um todo. Todos os dias, vemos páginas institucionais que utilizam o Facebook para publicar versões adaptadas de conteúdo de assessoria de imprensa. A internet não nasceu para isto. Existe muita coisa além de falar de si mesmo na web. Os usuários já estão treinados e sabem reconhecer o que é um conteúdo enlatado e o que é algo diferenciado e preocupado com a experiência das pessoas na internet. Viva à zueira institucionalizada. 





Obs.: Faltou falar muita coisa. Outra hora eu volto com o tema para tratar do assunto com mais aprofundamento e embasamento.

Obs².: Quem sabe a prefeitura não queira abrir o jogo e contar alguns detalhes. Não me recusaria a entrevistá-los e fazer um texto mais bacana ou um artigo.

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Rachel Sheherazade: cristianizando o debate

Nos últimos dias, repercuti no meu Facebook muitas informações sobre Rachel Sheherazade e o tratamento dela para com os "marginalzinhos". De todos os quase mil amigos que tenho por lá, os único que defenderam a moça, foram meus contatos "religiosos". Por isso, resolvi cristianizar o debate um pouco. Acho que é a primeira vez que faço isso, pois acredito ser por uma boa causa.



Eu fico muito preocupado quando vejo cristãos fazendo eco ao discurso do ódio. Daqui a pouco veremos os cristãos pegando em armas para combater a criminalidade (fruto do sistema que vivemos) matando todos aqueles marginalizados gerados pela desigualdade social. Já vi, inclusive, muitos católicos defendendo a redução da maioridade penal. Passamos tanto tempo refletindo sobre o exemplo de Cristo, mas parece que o sacrifício dele na cruz não foi o suficiente para alguns entenderem quem está do lado forte e quem está do lado fraco. Desgraçadamente, até a forma de punição dada ao jovem se assemelha a de Jesus. Pobre, e julgado pelos "poderoso", acabou preso a um poste (cruz não está na moda nesta estação).

Para deixar bem claro meu entendimento: Sheherezade está do lado forte. E não acredito que a maioria do Brasil (e do mundo) esteja deste mesmo lado. Sim, considero que eu estou no mesmo barco que o rapaz acorrentado ao poste.

Podemos ir além do exemplo de Cristo. Se formos olhar Dom Bosco, fica mais nítida ainda a contradição do discurso que está sendo assumido como correto por alguns. Não é a cadeia (ou a morte, no caso da vingança mais radical) que vai acabar com a violência ao nosso redor. Dom Bosco ia até as cadeias da região de Turim tirar os jovens de trás das grades para dar lazer, formação e oração para eles. Será que é impossível fazer isso hoje?

Sistema preventivo de Dom Bosco: educação através da razão, religião e amor/caridade. Não é fazendo justiça com as próprias mãos, como sugere a âncora do SBT e outros reacionários de plantão, que vamos mudar as pessoas. É necessário tratar na raiz. Já diria o sonho de Dom Bosco: "não com pancadas João". Tratar os marginais com violência é igual a podar uma árvore achando que ela vai parar de crescer. Algumas, pelo contrário, crescem ainda mais fortes.

Sobre o discurso dominante. Só não enxerga quem não quer. A jornalista não está lá por acaso. Uma opinião tão dura quanto esta citada, não nasceu na cabeça só da Sheherazade. Ela só é a porta-voz um povo que vê na grande mídia (aqui representada pelo SBT) a legitimação de um senso comum que se prolifera velozmente.

Recentemente, tenho dedicado certo tempo (até mais do que deveria) ouvindo pensadores da extrema direita. É plausível que, para eles, o discurso dominante pareça revolucionário. Do outro lado, a extrema esquerda vê como a tendência dominante sendo conservadora. Acredito que entre esses dois parâmetros, podemos dizer que em parte do tempo os grandes emissores de informação estão equilibrados e em alguns momentos tendem para o conservadorismo. É praticamente impossível quantificar isto. Eu, particularmente, tenho repulsa a assistir os telejornais. Prefiro assistir a novela das 9.

Quando vemos um tema tão delicado como este da justiça com as próprias mãos surgir é preciso parar um momento e raciocinar (na verdade o tempo todo isso é necessário). A quem interessa esse discurso do ódio? Marginalizar ainda mais os marginalizados vai gerar o que na nossa sociedade? Quem vai lucrar com isto? Talvez possamos ir até o shopping sem esbarrar com algum pobre pedindo esmolas. Quem sabe? O que eu ganho desejando o pior para alguém que já está por baixo?

"O Estado não presta a assistência devida." E o que estamos fazendo quanto a isto? Se for para acabar com o Estado, vamos começar a discutir sobre isto.

Hoje uns aceitam que "bandido bom, é bandido morto". Logo, vão estar aceitando outras ideias vendidas por Sheherazades da vida.


Para refletir um pouco mais sobre essa "lógica do bandido" deixo um vídeo.

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Adeus, internet

Aos poucos estou descobrindo que tenho alguma espécie de atração paradoxal por coisas que não necessariamente gosto. No ensino médio, sofri três anos nas mãos do professor de geografia Jairo Engster, mas por outro lado, gabaritei a disciplina em todos vestibulares que fiz. Sempre pedia para que meus pais pagassem um curso de informática para mim e a resposta do meu pai era: "se quiser estudar, faça um curso de torneiro mecânico". Nunca simpatizei com a ideia, até que me dei conta que fui o terceiro melhor torneiro de Santa Catarina na Olimpíada do Conhecimento do Senai/SC.

Hoje, descobri que a minha experiência com a internet está repetindo esse envolvimento paradoxal. Minha vida é completamente online. Não desconecto nunca. Mas ao mesmo tempo que gosto (e preciso, já que é um vício), tenho vontade de me enforcar num pé de cebola cada vez que vejo as atualizações dos amigos, principalmente, do Facebook.

A internet me possibilita inúmeras experiências. Muito do que sei, absorvi pela web. Minha primeira pesquisa acadêmica foi sobre internet. Mas, sinceramente, tenho vontade de voltar a viver no off-line às vezes. Ou então desistir de qualquer ideal. Cada dia está mais difícil tolerar a presença de algumas opiniões ao meu redor. Ao ponto de desacreditar por total no ser humano. Pela internet podemos ver que já chegamos no fundo do poço, e estamos cavando mais para baixo ainda.

Então, se algum dia eu parar de viver conectado a aparelhos, saibam que foi intencional. Quando me encontrarem, estarei, provavelmente, tocando violão acompanhando uma revistinha com cifras erradas.



Para dar uma animada, uma musiquitcha.


"Who controls the past now controls the future
Who controls the present now controls the past
Who controls the past now controls the future
Who controls the present now?"

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

#IssoéJoinville e o cabresto joinvilense

A cidade de Joinville, seus habitantes e, claro, seu estádio municipal são extremamente pacatos e corretos. A prova disto é que repudiam completamente o que aconteceu na Arena Joinville. A briga campal entre torcedores do Atlético Paranaense e Vasco é algo visto como o fim dos tempos, ainda mais quando se constata que o fato levou o nome da cidade para todo o país e para o mundo. Concordo plenamente que a estupidez humana é desprezível, mas ela tem uma origem. É aí que começa minha crítica ao movimento #IssoÉJoinville.

Sabemos que não foi nada legal, enquanto seres humanos, o que aconteceu no estádio no final de semana, mas este fato vem para evidenciar, novamente, quem é o verdadeiro joinvilense. Não é que seja uma característica só de Joinville, mas as heranças da colonização "germânica" potencializam esta faceta. 

Joinvilenses em geral, não sabem reconhecer os problemas a sua volta. Exceto quando são acusados por alguma coisa indevidamente. No momento, é a acusação de cidade sem segurança e estádio que abriga a violência. Até consideraria justa a reivindicação do movimento #IssoÉJoinville, se não fosse um dos raros casos de movimentação de massa na cidade. Mas por enquanto estou longe de fazer coro ao grupo. 

Percebo, a partir das minhas vivências, que o joinvilense médio não tem a capacidade de autocrítica. Por outro lado, tem uma facilidade muito grande de seguir tendências lançadas ao vento por interesses alheios aos seus, como mídia local e entidades representativas - principalmente as empresariais. O gene cultural germânico coloca um cabresto no olhar social do joinvilense. Parece até que não existem marginais na torcida organizada do Joinville Esporte Clube, a União Tricolor.

O fato é que Joinville, e os torcedores da cidade, não são melhores nem piores do que os do Atlético Paranaense ou do Vasco. Contudo, o contexto da confusão faz com que pareça que o joinvilense seja melhor. E isso desperta um sentimento bairrista, elitista e xenófobo, que só alimenta ainda mais esta realidade de cabresto para as causas dos problemas da sociedade.

A herança dos imigrantes europeus fez com que boa parte da cidade seja fria e incapaz de se relacionar com seus vizinhos. Eu passo por isso todos os dias. Não sei nem ao menos o nome da pessoa que mora na casa ao lado. Em geral, o único interesse que reina é o individual. Mas que ninguém queira questionar a hegemonia deste povo tão trabalhador e que luta tanto para construir sua cidade.

#IssoÉJoinville. Uma cidade conservadora, que não se preocupa com o coletivo e odeia que exponham seus defeitos.

#IssoÉJoinville. Uma cidade dos príncipes sem príncipes, uma cidade das flores com flores sufocadas pelas fumaças e uma cidade das bicicletas que só pedala para trás.

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sábado, 18 de maio de 2013

Inflação em parcela única é a melhor opção

Em Joinville estamos vendo a batalha entre servidores públicos e prefeitura pelo reajuste salaria. Veja a comparação das duas propostas.


Ou seja, desconsiderando que em 2014 haja um novo reajuste, em dezembro de 2014 o reajuste em cota única em 2013 seria menos vantajoso para o servidor em R$18,28.

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